Blog do Aramis

Um pequeno espaço de crônicas, sobre vida, amores, desamores, amizade, fraternidade, bom, tudo que é básico na vida de um mosqueteiro..rs

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Texto do Mosqueteiro Athos

Segue um texto em meu blog feito pelo meu irmao de armas Athos.

Espero que gostem da aventura.

abraços
Aramis

Meu irmão em Armas e Coração,

Há muito que nossas opções nos encaminharam a estradas e encruzilhadas que, quis o destino, enfrentássemos mais no espírito “um por todos”, que na felicidade do “todos por um”.

Nestas andanças, sofremos, recentemente, uma baixa de um jovem “lord”, cujo coração era tão bondosamente raro e cujo companheirismo era tão imaculadamente puro que creio, até, que o Eterno o chamou ao seu lado tão cedo por não permitir que tal beleza de espírito se contaminasse com o que eu vejo e vivo aqui na Terra. Um verdadeiro líder, um homem, um amigo, um irmão!

Bebo, do melhor uísque, a este homem e sua memória.

E, em sua homenagem, lembro-me de uma missão que tive com ele.

Era um “Bal Masqué”, no qual fomos dez no mesmo coche: Eu, Lord Jebediah (como o chamarei), sua namorada (Lady “C”), a amiga de sua namorada (Lady “B”), Lord Ed (que casou recentemente, por sinal), Rubid, o Bardo, Lord Cash, mais três companheiros que, posteriormente, virariam testemunhas, e, minha eterna amiga, Lady Jane!
Eu, de costume preto e camisa, simples, verde muito escura, opaca, de linho belga.

Uma máscara preta simples, como a de uma justiceiro mascarado dos quadrinhos, e um botão de rosa vermelho (quase negro) na lapela.

Jebediah de costume cinza escuro, com uma sobre-capa, e máscara clara que lhe cobria quase a totalidade do rosto, feita de papier maché, polida, com temas e curvas venezianas na face esquerda.

Chegamos pouco após o início da festa, todos em ambiente de muita proximidade entre os convidados, em um salão dividido em parte coberta e descoberta, bastante amplo e claro na recepção descoberta. O mais distante e desconhecido de todos era:
a) Bob Marley
b) Kunta Kinte
c) Eu

A resposta, por mais óbvia, não deixa transparecer que, entrementes, também tinha bons contatos e amigos perambulando por lá. Dentre estes, Lady Rose: uma morena, pouco mais alta que eu, de cabelos ondulados, um rosto bonito, um olhar castanho provocativo e um corpo de , provavelmente, tirar do sério um monge beneditino e, comprovada e consumadamente, Jebediah.

Nunca Jebediah havia superado Lady Rose. E a recíproca era verdadeira, pois ela havia visto nele a mesma beleza que eu vi: eu como amigo, ela... E não tardou a nosso cumprimento levar a conversa, e nossa levar a Jebediah.

Pedi, com gentileza que ela esperasse alguns minutos em um recinto que eu havia localizado no andar de cima. Apontei-lhe a escada, escondida atrás de uma cortina. Ela se foi.

Logo, Jebediah volta a falar-me: “Rose está linda de vermelho! Se eu não estivesse namorando...”
“Eu sei bem.” – Respondi. – “O namoro não te impediu antes.”
“Athos, não há o que fazer. Minha namorada está aqui, todos me conhecem...” -Jebediah chorou.
“Mas ela não está no segundo andar.” – apontei-lhe a escada e, em poucos minutos,
Jebediah tinha o butim da missão que Lady Rose havia me conferido. Bastou que prende-se Lord Ed em uma conversa muito animada com Lady B e C.

No decorrer “de la fête”, alguns, influenciados por Lord Cash, tentaram fazer da mistura “álcool+dança” algo mais complexo, tal como utilizar de “catalisadores químicos”. Situação na qual, discretamente intervi: “punguei” a substância (o que foi fácil) e a escondi.

A mistura era potente por si só ao ponto de Cash arrumar uma confusão. Retirando-o do ambiente, acendi um cigarro e perguntei , com uma garrafa encostada na parte de trás da coxa e bem segura na mão esquerda, se alguém mais queria brigar. Não obtive resposta, razão pela qual dei zero a D’Artagnan em prova análoga.

Após tanta bebida, as pessoas não conversavam ou se divertiam mais. O que me deixou
sem opções a não ser observar o ambiente: razão pela qual fiz amizades com os funcionários do lugar.

Neste aspecto, além de beber do melhor saquê, aprendi a fazer coquetéis com isso. O que me levou a servir duas conhecidas que lá se encontravam, em tom de cortesia e brincadeira.

O tom foi interpretado como galanteio: “- Se eu não estivesse com meu namorado ali, ‘te beijava’!” – replicou Baronesa M, uma loira de lindíssimos traços faciais e corporais escandinavos, baixa e de conduta delicada, vestida de cinza escuro e azul.
O calor da batalha me veio ao sangue. E numa reação quase reflexa, disse: “-Então me beija!”

E ela o fez.

Minha visão periférica percebeu que, a alguns metros (que não davam sete), o namorado, um nobre famoso no local, levantou-se. Descolei os lábios da Lady, postei-me em olhar fixo do que o barman posteriormente descreveu: “as costas arquearam, o cenho franziu e teu olhos olhavam de esgueio, por cimado ‘branco do olho’. O que é pior, você tinha um sorriso. Mas eu sabia que não estava rindo.”

Os espectadores prenderam a respiração e só a livraram quando, ao invés do nobre me dar um soco na cara, ele chamou a Baronesa - “posso conversar contigo?” – em voz baixa e chorosa.

Quando voltei de macaco para Athos, dei por mim que não precisava ter feito aquilo.
Hora de irmos para a casa. Em poucas horas, tinha que assumir a guarda. E fui chamar Jebediah.

Antes de mim, outra pessoa queria chamar “Jeb”: sua namorada, Lady C.
Em manobra pouco honrada, incitei a Lady ver se Jebediah estava no coche, o que funcionou. Desafortunamente, não contava com a bela Lady B, que me viu subir as escadas às pressas para chamar o amigo.

Em corrida nervosa, “B” chamou “C”, que, já em tempo de fúria, começaram a subir as escadas.

Quando cheguei no segundo andar, percebi que havia atrapalhado algo muito intenso.

Com energia, disse a Jebediah: “esconda-se e desça pelo outro lado.” – e à Rose: “você é minha parceira agora, entende? Abrace-me.”

Feito isso, as duas chegam ao segundo andar, ruidosamente. Com o barulho, outras pessoas, tais como Lord Ed e Rubid as seguem. E a cena está formada:
Jeb esgueira-se por entre cortinas até uma escada dos fundos, como um Fantasma na Ópera Garnier;
Rose e eu abraçados, como se fôssemos enamorados;
Quatro pessoas olhando e perguntando “o que acontece?”
Lady B perguntando a mim onde está Jeb.
Lady C gritando por Jeb.
Rose, sensatamente, e anos-luz a frente de meu pensamento, murmura em meu ouvido: “parece que não estão acreditando!”. – O que concordei com um denso “humhum!”.

Então, no meio daquela algazarra, Rose livra meu rosto da máscara e me beija... intensamente, molhadamente, o que, resfolegando, acompanhei com uma fúria alimentada pelo corpo olímpico e pelo perfume de Rose, que me drogava mais que qualquer coisa que Cash mencionasse.

Neste momento. Tudo silenciou. Jeb chamou por C. Entramos no coche.
Próximos ao nosso destino, já cortando a entrada do Mangue, Ed quebrou o silêncio da viagem:
“- Athos, você realizou o sonho de cada homem que havia naquela festa! Eu não entendi nada, mas você vai me dizer um dia o que aconteceu.”

E eu guardei este segredo de Jebediah. E hoje o transformo, com pouquíssimas adaptações, em um conto em sua homenagem.

Ao mesmo tempo, se Ed tiver ouvidos, que ouça o que ele me propôs no coche.

Um abraço,

Athos.

domingo, 26 de julho de 2009

A Verdadeira Historia

No século 17, havia uma corporação militar, considerada a elite do exército francês, que servia como escolta pessoal do rei. Essa tropa surgiu por volta de 1600, quando o soberano Henrique IV formou um grupo de guardas, cuidadosamente selecionados, que passou a ser responsável por sua segurança. Além de exímios espadachins, esses soldados também usavam carabinas e eram chamados de "carabineiros". O desenvolvimento do mosquete, uma arma mais avançada, mudou o nome do grupo. "Quando Luís XIII subiu ao trono da França (em 1610), ordenou que os carabineiros fossem armados com mosquetes. Então, esses soldados se tornaram conhecidos como mosqueteiros.

Foi durante o reinado de Filipe II que nasceu, em 1611, na antiga província francesa da Gasconha (que se situava na fronteira com a Espanha, ao longo dos Pirinéus e que tinha capital na cidade de Auch), um menino a quem foi dado o nome de Charles de Batz-Castelmore. Em 1611, era rei de França Luís XIII, o Justo, e a França encontrava-se dividida em 39 províncias (as províncias foram depois, na sequência da Revolução francesa, abolidas e reorganizadas em 100 departamentos em 1790.

O pai de Charles morreu a proteger o rei, enquanto chefiava a Guarda Real de Henrique IV, o anterior monarca e pai do actual Luís XIII e avô de Luís XIV. O rei Henrique IV foi alvo de várias tentativas de assassinato durante a sua vida (numa das quais morreu o pai de Charles) até que, em 1610, sucumbiu às facadas de um assassino.

Vários membros da família Batz-Castelmore fizeram parte da Guarda Real e Charles, quando atingiu a maioridade, deslocou-se a Paris no sentido de também dela fazer parte, como o pai e os irmãos. Como não tinha qualquer experiência no campo militar, a sua candidatura foi rejeitada. No entanto, Monsieur de Treville, um grande amigo da família, usou a sua influência política e o jovem ingressou no corpo militar de protecção do Rei.

Em 1644 ingressa nos Mosqueteiros que viria, muitos anos depois, a chefiar. Quando tinha já 40 anos, e o Cardeal Mazarin era o Ministro-Chefe do Rei, Charles de Batz-Castelmore conduziu várias missões de espionagem ao serviço do Cardeal. Devido aos seus valiosos serviços, foi nomeado Governador da recentemente conquistada cidade de Lille, conquistada pelo Rei-Sol Luís XIV aos holandeses. Mas, se devido à sua incompetência ou ao facto de ser um governador de um país ocupante, os habitantes não apreciaram o seu governador e Charles também não era feliz, sonhando voltar à vida militar. Com o continuar da guerra entre a França e a Holanda, Charles conseguiu voltar ao combate. A 24 de Junho de 1673, Luís XIV ordenou o Cerco a Maastricht e o Tenente-Capitão Charles de Batz-Castelmore liderou as tropas francesas. A 25 de Junho de 1673 morreu com um tiro de canhão.

Mas, na altura em que Charles nasceu, o Ministro-Chefe do Rei era Armand Jean du Plessis. Armand teve uma carreira política meteórica: estudou Filosofia e, mais tarde, planeou entrar na vida militar. Devido a problemas financeiros (a família Plessis tinha-se apropriado de dinheiro enquanto geriam o Bispado de Luçon), teve de se tornar um clérigo para apaziguar a indignação religiosa. Mais tarde, em 1607, foi ordenado bispo e, em 1616, tornou-se Secretário-de-Estado do Rei. Em 1622 tornou-se cardeal e, em 1624, tonou-se Ministro-Chefe do Rei. Armand tinha dois irmãos mais velhos e os três nasceram em Paris. Entretanto a sua família mudou-se para a antiga província de Tourrine (já então rebaptizada como Richelieu), onde o pai exerceu um importante cargo político.

Richelieu é uma cidade situada a 50 quilómetros de Tours e a 30 quilómetros de Descartes, cidade natal do filósofo René Descartes.

Assim, enquanto Charles de Batz-Castelmore se encaminhava para Paris para servir na Guarda Real do Rei, Armand Jean du Plessis era Cardeal de Richelieu e Ministro-Chefe do Rei e Portugal vivia em plena Dinastia Filipina, aguardando a Restauração, que viria a acontecer alguns anos depois, em 1640.

A história factual de Charles de Batz-Castelmore e de Armand Jean du Plessis parecerá familiar, o que é bastante razoável, pois a história de Charles e de Armand inspirou uma das histórias literárias mais conhecidas do mundo: Os 3 Mosqueteiros. A obra de Alexandre Dumas pai, foi integralmente inspirada no percurso de vida de Charles Batz-Caltelmore. Charles eventualmente tornou-se chefe d'A Guarda Real (conhecidos como os Mosqueteiros do Rei) e também conde de Artagnan.

O Corpo de Mosqueteiros da Casa Real do Rei da França (mais conhecidos como Mosqueteiros do Rei) foi fundado em 1622, quando o Rei Luís XIII forneceu mosquetes a uma companhia da Cavalaria Ligeira. Durante 7 anos os Mosqueteiros estiveram sobre o comando do Capitão-Tenente da Cavalaria Ligeira, até que, em 1634, nomeia, como Capitão dos Mosqueteiros, Jean-Armand du Peyrer, conde de Trèville.

Apenas os homens mais valorosos que pertenciam à Guarda Real podiam ser admitidos para o Corpo dos Mosqueteiros do Rei, como uma promoção, pois tratava-se de um Corpo Militar de Elite. Os Mosqueteiros combatiam a pé ou a cavalo e com mosquetes.

Em 1657, o sucessor dos Cardeal Richelieu, o Cardeal Mazarin, dissolveu os Mosqueteiros. Passados 4 anos o Cardeal morreu (1661) e o Rei Luís XIV ressuscitou a Companhia de Mosqueteiros em 1664, usando como modelo os Mosqueteiros iniciais.

Ao longo dos anos foram sucessivamente dissolvidos e recriados, até que foram definitivamente dissolvidos a 1 de Janeiro de 1816.

Muitos dos eventos relatados no livro de Alexandre Dumas pai são os acontecimentos romanceados da vida do conde D'Artagnan e da primeira Companhia de Mosqueteiros. Alexandre Dumas pai escreveu 3 livros sobre a vida do conde D'Artagnan: o primeiro, publicado em 1844, chamou «Os 3 Mosqueteiros», ao segundo chamou «Vinte anos depois» e, ao terceiro, chamou «O Visconde de Bragelonne».

Alexandre Dumas pai afirmou que tinha baseado as suas aventuras em manuscritos que encontrou na Bibloteca Nacional francesa, em Paris, que contavam a vida do conde D'Artagnan. Mais tarde foi provado que, na verdade, Dumas baseou-se no livro Mémoires de Monsieur D'Artagnan, capitaine lieutenant de la première compagnie des Mousquetaires du Roi («Memórias do Senhor D'Artagnan, Capitão-Tenente da Primeira Companhia de Mosqueteiros do Rei»), escrito em 1700 (apenas 27 anos após a morte de Charles de Batz-Caltelmore e 144 anos antes do livro de Dumas) por Gatien de Courtilz de Sandras (1644-1712). Gatien entrou para o Corpo de Mosqueteiros do Rei em 1670, mas deixou-os, após 18 anos, para se dedicar à escrita, e muda-se para a Holanda. Em 1702 regressa à França e é preso na Bastilha (a famosa antiga prisão de Paris) devido aos seus escritos escandalosos. Na Bastilha era guarda-prisional um antigo companheiro de armas do conde D'Artagnan de nome Besmaux. Terá sido através dele que Gatien soube da história do famoso mosqueteiro e a partir da qual escreveu o seu livro.

Das personagens mais conhecidas dos livros apenas algumas são personagens históricas, sendo as outras personagens ficcionais:

São personagens inspiradas em factos históricos D'Artagnan, o Cardeal Richelieu, o Rei Luís XIII, a sua esposa Ana de Áustria, o Duque de Edinburgo e o Cardeal Mazarin (que sucedeu a Richelieu em 1642 e que surge no segundo livro da saga).

Para além do Conde D'Artagnan (Charles de Batz-Castelmore) e do Conde de Trèville (Jean-Armand du Peyrer), alguns outros Mosqueteiros existiram realmente:

Armand de Sillègue d'Athos d'Autevielle (1615-1643): era conterrâneo do Conde de Trèville, que o levou, em 1640, para o Corpo de Mosqueteiros que liderava. Morreu jovem, com 28 anos, morto num duelo;

Isaac de Portau «Porthos» (1617-?): o seu pai era Secretário do Rei e entrou para a Guarda Real em 1640. Em 1643 entra para o Corpo de Mosqueteiros.

Henri d’Aramitz «Aramis» (?-?): cunhado do Conde de Trèville (uma das irmãs de Aramis casou com ele), pertencia a uma família nobre, com ascendência militar, filho de Charles d’Aramitz, Marechal dos Mosqueteiros. Entrou no Corpo de Mosqueteiros em 1640 e casou, em 1654, com Jeanne de Béarn-Bonasse, de quem teve 4 filhos.

Apesar de Athos e Aramis terem entrado juntos, em 1640, nos Mosqueteiros, Porthos, que entrou em 1643, não foi companheiro de Athos (que morreu em 1643) e só passado um ano foi companheiro de D'Artagnan (que entrou em 1644).

Não houve simultaneamente estes 3 Mosqueteiros juntos com D'Arttagnan. Só Aramis fez sempre parte da História dos Mosqueteiros juntamente com o Conde de Trèville.

A descrição do Cardeal Richelieu como um maníaco fanático de poder é completamente exagerada. Muitos historiadores consideram-no o primeiro Primeiro-Ministro da História. Em vez de uma figura interessada na sua própria glória, procurou, de diversas formas, engrandecer o seu país enquanto Ministro-Chefe do Rei: procurou consolidar o poder naval da França e, ao fazê-lo, impulsionou grandemente a colonização francesa no que é agora o Quebec canadiano e a Louisiana nos EUA, transformou uma França feudal com vários nobres poderosos num país moderno, com um governo centralizado e forte, que serviu depois de inspiração ao Rei-Sol Luís XIV. Para a consolidação do poder central francês, criou os primeiros Serviços Secretos do mundo. Além disso foi o fundador da Academia Francesa, a instituição que zela pela correcção e divulgação da língua francesa.

Não sendo de todo um anjinho (apesar de ser um padre católico, nunca se coibiu de se aliar a países de religião protestante no sentido de alcançar o que entendia como os interesses internacionais franceses), a imagem de pretendente-ao-trono-francês-sedento-de-sangue é imensamente exagerada e o Cardeal Richeliu serviu a coroa francesa durante 18 anos (de 1624 a 1642), não havendo qualquer evidência de tentativas de usurpar o trono. O seu pupilo, o Cardeal Jules Cardinal Mazarin, sucedeu-lhe como Ministro-Chefe de Luís XIV e também ele serviu a coroa até à sua morte, em 1661.

Paramento :

Manto : No início, os mosqueteiros usavam mantos azuis, com seu símbolo bordado na frente e atrás. Como o manto atrapalhava os movimentos em combate, ele foi posteriormente substituído por uma jaqueta justa de tecido grosso.

FAIXA Feita de couro ou de pano, atravessava o peito do espadachim e servia para pendurar pequenas bolsas com projéteis - balas redondas de ferro, pesando 60 gramas.

SÍMBOLO O emblema que passou a identificar os mosqueteiros era bordado com fios dourados e prateados. A cruz com flores-de-lis sobre um sol estilizado era uma alusão ao símbolo de Luís XIV, chamado de "Rei Sol".

MOSQUETE A arma que dava nome ao grupo militar era carregada pela boca e tinha que ser apoiada numa forquilha para disparar. O mosquete media quase 2 metros de comprimento, pesava 9 quilos e atirava projéteis a 160 metros de distância. Sua precisão, porém, era mínima

ACESSÓRIOS Entre os acessórios usados pelo mosqueteiro estava um chifre de boi, que servia como recipiente para pólvora. Ele costumava ser pendurado num cinto de couro, onde podiam ficar presas também as bainhas de um punhal e da espada

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Falar, Sentir, Eternizar

Quero dizer que te amo, mas ao falar

Quero ser sincero, mas serei

Sincero contigo ou comigo?

-------------------------------------------

Quero dizer que te gosto, mas gostar

Eu gosto de caminhar, gosto do luar

Gostar é fácil, tão fácil quanto falar.

------------------------------------------

Quero algo, mas o que seria

Seria algo nobre, algo vazio

Seria algo? Enfim o que quero dizer.

-----------------------------------------

Na verdade não direi nada

Quero ao te olhar poder-me ver através dele

Quero que através de meu olhar você me desvende.

----------------------------------------

Não precisamos das palavras

Temos algo a mais

Nossas almas que se conectam

---------------------------------------

Nossos espíritos que se falam

Por isso não direi que te amo

Pois falar é fácil demais

-------------------------------------

Por isso teremos algo que perdure

Pois o que vem do olhar o que vêm da alma

Não acabará facilmente e não dependerá de palavras.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Mosqueteiros

Fazia um bom tempo que eu não escrevia, creio justo me justificar, alias, meu amigo e irmão André Carpes vive me cobrando a postagem de meus textos, e também quando comprarei meu narguile.

Quanto aos textos espero me redimir voltarei a escrever, menos do que esperava, pois tenho que me preparar para as provas de proficiência para passar no mestrado e já visualizei 10 textos espertinhos que terei que trabalhar até outubro. Mas são coisas da vida e futuro acadêmico, assim sendo, o sacrifico de hoje é o sossego do amanhã.

Já na questão do narguile.... ainda estou a refletir, pois, o Governo Paulista decretou a Lei anti-fumo, que bem ou mal, vetou um dos divertimentos do narguile, levar pro boteco e ficar fumando com os colegas, o segundo motivo, foi não ter encontrado mais o que eu queria, perdi a chance de comprar no mês de fevereiro e agora não sei se acho mais. O que ainda me motiva é ter este relicário oriental para aproveitar em meu futuro lar, cujo projeto elaborado por meus pais é realmente muito bom, e tenham a certeza de que teremos brevemente uma “open house”.

De qualquer forma, acredito que passados alguns textos seria justo apresentar os mosqueteiros e o começo deles, pois é clara a necessidade de explicar o porque desta nomenclatura numa época como a nossa.

Sinceramente não me lembro quem foi o mentor intelectual destas definições de mosqueteiros, se foi um, ou se foi um consenso, apenas sei que surgiu quase ao final de 2000, onde inicialmente existia a ACABAS, ACASP e ACESP.

Vocês devem estar se perguntando o que significam estas siglas, mas considerando que já se passou tantos anos, melhor deixar elas na memória de quem as viveu. Quem sabe um dia com um FOIA (Freedom Of Information Act), eu ou alguns podem pensar em contar algo a respeito delas.

De qualquer forma, num abril de 2000, em São Caetano após um acalorado debate, e como de praxe numa mesa de bar comemorávamos ser os percussores da “9 de Julho”. Ali algumas amizades ficaram muito fortalecidas, e em comum existia um espírito de seriedade, de diversão e em especial na busca de ladies.

Ali entre uma historia/estória e outra percebemos as indiadas comuns que cada um fazia, e logo na mesma época uns filmes de mosqueteiros voltavam a tona nas locadoras, cinemas e tvs.

Logo cada um identificou no outro uma característica dos três principais mosqueteiros, Antonio foi colocado na casa de Athos, pois além de ser ranzinza...rs era o que tinha filho...rs, Maida foi colocado na Casa de Porthus, pois nenhum outro poderia lembrar tanto as peripécias deste mosqueteiro em tomar algumas e arrumar pequenas bagunças, e a mim ficou marcado Aramis, não por ser o mais religioso, mas por ser o mais cara de bom moço...rs. Ah! Sim sem d´Artagnan, pois este ficou para aquele mais jovem que começasse a sair conosco nas peripécias noturnas e diurnas.

Tive então a chance de ler o romance inteiro e sem cortes o livro “Os Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas, e realmente com todos os detalhes, nossas escolhas não tinham sido erradas.

Posso dizer dos outros dois mosqueteiros, bem como de todos aqueles que empunham as armas conosco nas batalhas por ai, são os irmãos que pude escolher numa época turbulenta que passamos todos. E creio que é por causa disso, das dificuldades que aprendemos a justar, sorrir, entristecer, cair, levantar, continuar e por fim nunca desistir.

Apresento assim os mosqueteiros, pois mesmo tendo uma capa de seriedade em muitas de nossas atividades, sempre tivemos aquela pequena parte avermelhada para nos lembrar de que mesmo na seriedade devemos manter a alegria e a juventude.

Chevaliers Salut!!

sábado, 16 de maio de 2009

Uma Surpresa de Neta.

A algum tempo atrás, e quando digo tempo, realmente quero dizer a uns quase 12 anos no passado, ocorreu uma lenda pela região da baixada santista a respeito de dois estudantes de direito os quais mesmo sendo bons rapazes ocasionalmente eles como todo jovem saiam a noite no final de semana, com a finalidade geralmente de ouvir uma boa musica e logicamente se relacionar com as moças que lá estavam.

Um destes amigos fazia à época o serviço militar, onde mesmo fazendo faculdade junto com as obrigações militares ele sempre arrumava um espaço para aproveitar o final de semana, salvo aqueles onde ele ficava detido ou tinha que servir na escala de alunos, sim, Ruy as vezes aprontava alguma bobagem em seu serviço e ficava alguns finais de semana detido, o que é uma detenção administrativa, creio que era muito reflexo do espírito rebelde de Ruy.

Chegando a tarde Murilo ligou para Ruy, pois queria saber se ele iria naquele final de semana servir no quartel, prontamente veio a resposta de que não, e retrucou de imediato: - E ai Compadre, qual é a boa do final de semana??

Murilo rindo um pouco, fala para Ruy que ele estava armando um esquema na ilha de Santo Amaro, ou como é mais conhecida, Guarujá. E que seria muito bom pois ele estaria de carro e a melhor parte, que duas amigas dele iriam caso ele arrumasse mais um amigo para ir com eles, logicamente veio a ressalva, como se a pergunta já estivesse prevista ele falou: - E antes que me pergunte, sim as duas são gatinhas.

Quase que dando saltos de euforia, Ruy fala que esta no aguardo de instruções e que estava fechado para aquela noite de sábado, ainda mais que iriam duas belas moças com eles.

E chegou o entardecer, as noites na baixada santista na época de outono são particularmente muito agradáveis, pois não se faz mais aquele calor forte do verão, mas também não tem aquele frio típico de inverno, era verdadeiramente uma noite muito boa de se sair na noite, tínhamos um tempo ameno, poucas nuvens e uma lua em quarto crescente impressionante.

Murilo passou para buscar Ruy e as meninas, Gisele e Amanda, e nos dirigimos para Guarujá, realmente a noite prometia, a festa iria ocorrer no Casa Grande Hotel, e já na entrada se viam muitas pessoas bonitas e interessantes. Murilo começou então a perceber que entre Gisele e Ruy estava rolando algo, o que não que fosse esperado por Murilo, mas que ele já tinha previsto aproximar aqueles dois ele já tinha, pois ele e Amanda já tinham um histórico de algumas saídas.

E a festa rolou bastante tempo Murilo e Amanda não se surpreenderam quando Ruy e Gisele desapareceram entre os sofás da discoteca, mesmo assim, rapidamente já eram três e pouco da manhã, e todos ali, ainda que maiores de 18 anos, tinham pais e mães em suas colas, e assim como já previamente combinando todos se reuniram novamente no ponto marcado, um dos bares próximos à saída.

Murilo não falou nada, mas ele ria ocasionalmente ao ver as marcas deixadas por Gisele em Ruy, e obviamente Ruy também se divertia ao ver que Amanda teria tido ação semelhante com seu amigo.

O caminho de volta a Santos foi bem tranqüilo, logicamente apenas para atrapalhar um pouco Ruy e Gisele, em lombadas Murilo fazia questão de passar mais forte para que eles parassem com a agarração no banco de trás, creio eu ser um pouco de inveja dele, pois no banco da frente com o carro em movimento ele não tinha este privilegio.

Bom todos deixados em suas casas após comermos algum daqueles enormes lanches das barraquinhas da praia Murilo logo ao acordar por volta das 2 da tarde ligou para a casa de Ruy.

Com a voz também embargada ainda de sono, Murilo falou se estava tudo bem com o amigo, e ai começaram a trocar algumas idéias. Logo após ambos estarem mais despertados do sono pós – balada, Murilo perguntou a Ruy o que ele tinha feito com Gisele e se ele não iria sumir de repente, pois a menina tinha gostado dele. Com um tom até serio ele disse: - Que é isso? Este tipo de coisa não se comenta.

Murilo insistindo na questão e num tom até esboçando um riso disse: - Olha lá Ruy, o que você fez com a menina hein?

Ruy meio que percebendo que tinha algo a mais por trás da insistência do amigo perguntou: - Meu caro, me responde antes, por que esta sua insistência em saber o que fiz ou deixei de fazer e o que farei com a sua amiga Gisele?

Murilo não se conteve de rir, e aos risos disse: - Sabe o que é, acontece que a minha amiga tem um avô que mora la no Rio de Janeiro.

Ruy disse: - Ta e daí ele é traficante, bicheiro, qual que é a historia que você não esta me contando?

Murilo disse então: - Não! Imagina, o avô dela não é nada disso não, na verdade ele é um senhor bem bacana, afinal acho que todo General de Divisão tem seus méritos não é verdade?

A linha ficou muda por um tempo, e sozinho Murilo imaginava o que iria acontecer, e logo veio o desabafo estressado de Ruy: - Porcaria Murilo, tu quer me ferrar a vida, Tu quer me ferrar por completo, eu vou viver todo meu estagio de aluno detido naquele inferno de quartel, ninguém merece, para tu é mais fácil, sai do estágio na sexta a noite vai para casa e eu que fico lá sofrendo. Não, não é justo meu Pai! Caramba vou ter que ficar vendo esta menina por mais um monte de vezes, tu é fogo, tu é FOGO!, Sabe que to paquerando aquela minazinha do Santa Cecília, e agora? Como fico? Ai meu Deus porque é que eu entro nestas barcas furadas? Eu sou muito azarado, só me lasco viu. É Murilo tu da rindo ai do outro lado porque não é você que vai ficar detido lá com um monte de macho, isso se o General for legal comigo. Você vai ver se eu for transferido lá para o Amazonas eu mando uma tropa de pigmeus assassinos no seu encalço. Isso não se faz, ao menos me avisasse antes, puxa vida, mas fique sossegado que eu vou dar o troco em você, pode esperar, isso não vai ficar desse jeito não.

Murilo logo acalmou o amigo e disse que a neta do general era tranqüila e que ele não se estressasse tanto, durante a semana ele conversaria com ela e a menina iria sossegar e até partir para outro, mas ao final disse aos risos: Ruy, cara, muito engraçado, minha tarde valeu somente pelo seu estresse e desabafo ..... fique sossegado que nas próximas vezes eu te aviso antes a procedência da mocinha, se eu souber.

Bom logicamente Ruy e Murilo aprontaram outras diversas por ai, quem sabe eu conto noutra crônica ai se aquelas praias da baixada falassem, mas como elas não contam historias, eu posso contar e sempre dizer: Ouvi dizer que.....

Um abraço e um beijo a todos e desculpem a demora em postar crônicas e textos, mas nossa muitas news aqui e acolá. Maggie, pode parar de rir com a historia...já acabou...rs...sim, sim ruy é quem vc pensa que é..... não, não ele não ficou detido diversas vezes, e não por causa da neta do general.

LP

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

AS FUGAS QUE VIVEMOS OU QUEREMOS.

Quando começamos a gostar de alguém? No que acreditamos e o que sentimos quando é estar com alguém que acreditamos ser especial e para toda uma vida? Em quanto tempo demoramos a descobrir estarmos com a pessoa errada e porque muitas vezes continuamos com ela?

Acredito não ter um momento no qual passamos a gostar de alguma pessoa, qualquer pessoa, a empatia às vezes é imediata, quantas pessoas que mesmo sem termos muito relacionamento nos são tão caras? E namoros? Às vezes levamos uma vida para descobrir o verdadeiro amor, e às vezes os descobrimos em poucos minutos, em poucas horas, às vezes sempre sabíamos onde ele estava, mas por falta de oportunidade, por falta de coragem deixamos a vida seguir.

Como temos hoje um mundo tão racional, tão tecnológico, e ao mesmo tempo tão pouco maduro no que diz respeito aos sentimentos alheios e aos nossos próprios sentimentos, como julgamos e somos julgados tão rapidamente por nossos comportamentos, mas mesmo assim deixamos de lado o maior dos julgamentos, o nosso próprio. Tal qual colocado no filme “Clube da Luta” tudo num avião é descartável, inclusive os amigos ao lado, que às vezes batemos papo, ou que às vezes dormimos e não os conhecemos existem hoje os amigos, trabalhos, e até os namoros descartáveis, pessoas que damos tudo de nós mesmo que por alguns poucos minutos, alguns dias, alguns meses, e por vezes até alguns anos, mas que por fim descartamos e colocamos naquele espaço de nossas lembranças como algo que passou, e nada significou.

Mas tão complicado quanto aceitarmos seguir esta vida de descartáveis é uma hora refletir e descobrir termos sido descartados, termos sido uma fuga, uma saída para algum problema ou ainda motivações mais vazias, desde uma forma de esquecer alguém, até uma maneira de não ficar sozinhos. Que triste é um mundo que acaba nestas fugas onde ser usa as pessoas, pelo simples fato de que a razão supera a emoção, não conseguimos vencer a barreira do descrédito e enfrentar nossos desejos verdadeiros, nossa real busca pela felicidade.

Busca pela felicidade, um dos direitos primordiais e únicos do ser humano, e mesmo assim temos tanto medo em enfrentar este desafio, será que é o medo de se enganar e a razão falar que sua felicidade é boba ou simples demais? Será que não podemos ser felizes assim e assim somente? Ou como diz Thoreau em Walden, “Ao final de nossas vidas descobrirmos que enfim nunca vivemos,...”

De qualquer forma não podemos ser assim sempre pessimistas, pois ainda assim vivemos num mundo que balança entre razão e emoção, e ocasionalmente a emoção tem superado a razão extrema, é a mesma emoção que nos permite termos um sentimento tão grande quanto o amor, a esperança. A esperança de que quando tudo aponta contra você surgem amigos de verdade que lhe apóiam e crêem em você, é a esperança que pode nos encaminhar para as situações, para uma vida não descartável, onde os amigos, onde o trabalho, e onde o amor não se é descartado de uma hora para a outra, num ciclo esperançoso podemos ver, sentir, nos inundar com a mudança, com a força, com a reverberação de nossos próprios sons, compreensíveis ou não, e assim chegarmos não ao que somos hoje, mas sim no que podemos ser.

Não pense assim que você conseguirá isso sozinho, a jornada até pode ser solitária, mas é neste torpe caminho e com esperança, amor e vontade que os amigos, nossas família, nossos amores lá estarão por nós, não para nos descartar ao final da viagem, mas para lembrar que por mais fortes que sejam os laços aqui, um dia fatalmente a morte intervirá, e independente de que se a vida é maior que a morte ou se a morte é maior do que a vida, o amor é maior que ambos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Expressões Curiosas

Achei muito legal esta pesquisa.

Comecei a procurar o pq da expressa ouvidos de tísico e acabei encontrando muito mais..rs



um abraço e bom ano a todos



“O primeiro milho é dos pardais”Significado: Os mais fracos aproveitam as primeiras vantagens.Origem: No tempo dos Romanos, era costume os agricultores oferecerem os primeiros frutos das suas colheitas às aves. Pensava-se na altura que eram as aves que levavam as oferendas aos deuses. O conhecimento desse hábito foi-se transmitindo de geração em geração, até que, no séc. XVI – século em que o milho chegou à Europa – a expressão evoluiu. O pardal era o símbolo de todas as aves e o milho abundava nas culturas portuguesas.

“Caiu o Carmo e a Trindade”Significado: Desgraça; aparato; barulheira; surpresa; confusão.Origem: O Terramoto de 1755 deixou muitas marcas físicas. Mas há marcas culturais que também persistem. Uma delas é esta expressão. Durante o terramoto, ouviu-se um enorme estrondo por toda a cidade de Lisboa. Quando os habitantes descobriram qual tinha sido a verdadeira causa de tal barulheira, logo disseram: “Caiu o Carmo e a Trindade”, isto é, desabaram os Conventos do Carmo e da Trindade.

“Levar água no bico”Significado: Ter intenções ou propósitos ocultos.Origem: Na linguagem dos marinheiros, “navegar com água no bico” significava remar contra a corrente, levando água do mar na proa, o que tornava o mar traiçoeiro. A expressão foi adaptada e tornou-se naquela que conhecemos hoje.

“Ir para o maneta”Significado: Estragar-se; desaparecer; morrer.Origem: Conta-se que, por alturas da invasão de Portugal, por parte dos franceses, um General, chamado Loison, tinha perdido um braço numa anterior batalha. Esse General era responsável pelas torturas aos presos e tinha, inclusivamente, causado várias mortes. Por ser tão terrível nas torturas que executava, surgiu um medo popular do General Loison, mas ninguém o tratava por esse nome. Para o povo, Loison era “o maneta”. E quando havia perigo de se ser capturado, ouvia-se logo o conselho: “Tem cuidado, que ainda vais para o maneta.” Duzentos anos depois, o General Loison ainda vive nesta expressão habitualmente utilizada.

“Resvés Campo de Ourique”Significado: Por um triz; à justa.Origem: No dia 1 de Novembro de 1755 – ironicamente, dia de Todos os Santos – uma das maiores tragédias de todos os tempos abateu-se sobre Portugal. Um terramoto de elevada magnitude, seguido de um tsunami, atingiu a cidade de Lisboa, matando milhares de pessoas. A força do tsunami foi de tal ordem que as águas entraram por Lisboa adentro e chegaram bem perto do Campo de Ourique. Foi resvés.

“Erro Crasso”Significado: Erro grosseiro.Origem: Na Roma Antiga, o poder dos Generais era tripartido. Chamava-se a isso um Triumvirato.O primeiro Triumvirato de sempre era composto por Caio Júlio, Rompeu e Crasso. Foi dada uma simples missão a este último: atacar os Partos, um pequeno e, aparentemente, inofensivo povo. Crasso não se preocupou em treinar formações romanas e descurou qualquer tipo de estratégia. O resultado foi desastroso. O pequeno exército venceu facilmente e Crasso lamentou o seu erro. Mas o seu nome ainda vive.

“À grande e à francesa”Significado: De forma luxuosa.Origem: Jean Andoche Junot auxiliou Napoleão durante a primeira invasão de Portugal por parte dos franceses. Cá viveu durante alguns anos de forma extremamente luxuosa. A imaginação, a observação e a sabedoria populares encarregaram-se de criar esta expressão.

“Lágrimas de crocodilo”Significado: Choro fingido; falsa tristeza.Origem: O crocodilo, quando ingere um alimento, exerce uma forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as suas glândulas lacrimais. Isto faz com que o animal chore enquanto come as suas vítimas.

“Mal e porcamente”Significado: De modo imperfeito; muito mal.Origem: A expressão inicial nem era esta. Mas nem toda a gente compreendia o que queria dizer “mal e parcamente”, ou seja, com poucos recursos. Portanto, este advérbio foi facilmente alterado para algo mais acessível.

“Fazer tijolo”Significado: Morrer.Origem: A destruição causada pelo Terramoto de 1755 foi tremenda. Hoje em dia, é praticamente inimaginável. E a falta de recursos para a reconstrução também.Com o objectivo de utilizar a argila para fazer tijolos, de modo a reerguer as casas que caíram, os restos de antigos cemitérios árabes foram reutilizados. Mas, entre a argila, eram frequentemente encontradas ossadas. Daí que tivessem surgido frases como “daqui a uns tempos estou a fazer tijolo” entre os populares.

“Andar em fila indiana”Significado: Andar em fila; uns atrás dos outros.Origem: Os índios americanos andavam sempre em fila para, à medida que fossem avançando, irem apagando as pegadas dos que iam à frente. Quando os “caras pálidas” viram este comportamento, não hesitaram em começar a utilizar o termo “fila indiana”.

“Fazer tábua rasa”Significado: Esquecer completamente um assunto.Origem: Os empiristas romanos, seguidores do filósofo grego Aristóteles, diziam que a alma sem experiência era como uma tabula rasa. A tabula rasa era uma pequena tábua de cera que não tinha nada escrito ou desenhado. Mais tarde, o termo foi adaptado à vida urbana e transformado para o significado que hoje conhecemos.

“Ter ouvidos de tísico”Significado: Ter uma óptima audição.Origem: Muitos soldados que combateram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) sofreram uma doença chamada Tísica. Esta doença assemelhava-se muito ao que hoje conhecemos por tuberculose pulmonar. Quem sofre desta doença caracteriza-se por ter uma sensibilidade auditiva fora do normal.Da próxima vez que disser que alguém tem ouvidos de tísico, tenha cuidado: podem ofender-se.

“Que maçada!”Significado: Contratempo; chatice.Origem: Nos tempos áureos das conquistas imperiais romanas, as tropas de Roma tinham uma zona para conquistar, perto do Mar Morto, chamada Massada. Os Zelotos, povo aí residente, trancou-se num templo, com esperança que os Romanos não os descobrissem. No entanto, o exército começou imediatamente a destruir o templo, enquanto o povo Zeloto desesperava por alguma solução. Para evitarem a humilhação da rendição, os Zelotos decidiram-se por um suicídio colectivo. Esta expressão tornou-se sinónimo da grande “chatice” pela qual teve de passar este pequeno povo.

“Queimar as pestanas”Significado: Estudar muitoOrigem: Aqueles que estudavam antes da existência da electricidade não tinham vida fácil. Estudavam à luz de velas ou lamparinas e, para que pudessem ler convenientemente, tinham de as colocar muito perto do texto, correndo sérios riscos de ficar com as pestanas queimadas.

“Calcanhar de Aquiles”Significado: Ponto fraco.Origem: Segundo a Mitologia Grega, Tétis, mãe de Aquiles, queria tornar o seu filho indestrutível. Para isso, mergulhou-o num lago mágico, segurando-o pelo calcanhar.Anos mais tarde, durante a Guerra de Tróia, Aquiles foi atingido no único sítio que não tinha sido mergulhado nas águas mágicas. Descobriu-se assim o único ponto capaz de enfraquecer o temido guerreiro.

“Ficar a ver navios”Significado: Decepção; não ter o que se deseja.Origem: Em 1578, D. Sebastião perdeu a vida na batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos, mas muitos não quiseram acreditar em tal infortúnio. Por isso, era comum encontrarem-se “mirones” no Alto de Santa Catarina a olhar para os navios, à espera que o malogrado Rei regressasse. O povo logo começou a dizer mal daqueles que iam “ver navios” e a expressão implantou-se na sociedade.

"Não perceber patavina”Significado: Não perceber nada; não compreender.Origem: Frades provenientes de Pádua – patavinos - visitavam Portugal habitualmente, para se reunirem com os seus congéneres portugueses. No entanto, quando falavam com as pessoas que viam na rua, ninguém compreendia uma única palavra do que eles diziam.“Assentar a carapuça”Significado: Sentir-se ofendido ou identificado com alguma situação.Origem: Por altura da Inquisição, durante a Idade Média, os judeus eram obrigados a usar um chapéu bicudo, para que pudessem ser distinguidos dos cristãos.

"OK”Significado: Está tudo bem; não há problema.Origem: Nos dias em que não havia baixas, durante a Guerra Civil Americana, os militares americanos chegavam alegremente às suas casernas e penduravam tabuletas à porta com as iniciais “O K”, que significava “0 killed” (zero mortos). A moda pegou e, hoje em dia, “OK” é das palavras mais ditas em todo o mundo.

“Obras de Santa Engrácia”Significado: Interminável; sem fim.Origem: Fundada em 1568, a Igreja de Santa Engrácia, na freguesia de São Vicente de Fora, em Lisboa, é a responsável por outra das mais famosas expressões populares portuguesas. Mais conhecida, desde 1916, como Panteão Nacional, a Igreja de Santa Engrácia ruiu em 1681 e começou a ser reconstruída, mas as obras duraram até meados do século xx. Portanto as “obras de Santa Engrácia” foram mesmo longas: duraram 350 anos.