Blog do Aramis

Um pequeno espaço de crônicas, sobre vida, amores, desamores, amizade, fraternidade, bom, tudo que é básico na vida de um mosqueteiro..rs

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Caminhando

Foi numa segunda-feira que despertei um pouco agoniado, nada que me encaminhasse ao médico, era algo mais de mente do que de corpo. Mas como sabemos a mente afeta em muito aquilo que sentimos fisicamente.

Sim foi numa segunda-feira, um dia em que estava de folga do trabalho, assim pude acordar mais tarde, neste dia não havia dormido em casa, caminhei por uns 20 minutos, pensando, às vezes o caminhar sozinho sempre me desperta muitos pensamentos, muitas idéias, muitas reflexões, sempre que precisei descobrir uma solução foi caminhando que ela veio.

Mas esta solução por incrível que pareça não depende apenas de mim, em parte sim, pois logicamente tudo o que demanda em nós, representa uma intervenção nossa, mesmo que mínima, mas desta vez a intervenção deveria ser maior, mais pró-ativa de minha parte.

Como memorizei uma vez “Deus esta na chuva” (filme de V de Vingança), mas eu completaria, e mesmo assim Seu Espírito repousa no caminhar. Pois seja solitário, seja com um bom amigo, seja com uma pessoa especial, seja com nosso pai ou nossa mãe, é muitas vezes que ao caminhar descobrimos muito de nós mesmos, é neste pequeno e simples ato que podemos ter os caminhos para nossas soluções, nossas reflexões, até mesmo de dar e receber conselhos. Quantos são os conselhos que damos e que por muitas vezes, nós mesmos é acabamos utilizando?

Nesta breve caminhada desta segunda-feira qualquer, refleti muito sobre minha presente situação, passadas tempestades muito fortes, continuei aqui de pé, alias, me fortaleci, mas no caminho perdi coisas muito valiosas, perdi um sorriso, perdi um aninhar, perdi conselhos, perdi um pouco do que eu era, mas toda ação tem uma reação, nem sempre igual e contrária, mas sempre teremos uma reação.

Não poderei fazer qualquer pessoa gostar da gente, mas facilmente podemos fazer qualquer pessoa desgostar de nós. É foi uma boa caminhada, nada que solucione minhas duvidas, mas sempre algo que ao menos nos faz pausar o que andamos fazendo, e ocasionalmente fazermos uma pausa, refazer o caminho, ou mantermos a rota por ser o que é certo a ser feito, não importando quão tristes podemos ficar de tempos em tempos.

O que for para ser será, e como diz um escritor jurídico que admiro muito, o Prof. Marcatto, “São nos problemas e nas dúvidas que temos a criação do conhecimento, mesmo que sem a solução do que buscamos, mas sempre teremos conhecimentos novos, ou novas formas de vermos o que já conhecíamos”.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Entre Lençois

Esta final de semana assistir o filme nacional “Entre Lençóis”, numa expectativa de mais um filme que sei lá, poderia ser daqueles “meia-boca”, ou mais algum filme forrado de algumas cenas quentes e poucos diálogos tive uma grata surpresa.

O filme muito me surpreendeu, pois mesmo sendo um constante diálogo entre dois grandes atores, mostrando muito detalhadamente o que são os relacionamentos hoje em dia, onde temos pouca profundidade nos relacionamentos, ou melhor, colocando que hoje em dia as pessoas deixam de lado sua felicidade e passam a fingir para si mesmas, mentindo para si e para os outros, buscando de uma maneira que as torna infeliz, uma comodidade, uma proteção ao “status quo”.

No filme a personagem de Paola Oliveira esta preste a se casar, mas independente de estar se casando com um “bonzinho até demais” ela procura noutro homem momentos de diversão, de prazer, e acaba descobrindo num parceiro anônimo, num “galinha” a profundidade e cumplicidade que ela nunca conseguiu com seu quase esposo.

Realmente vemos tanto isso nos dias de hoje, tanta falta de cumplicidade, de confiança, queremos tanto atender aos preceitos sociais, que às vezes esquecemos quem somos, queremos tão firmemente nos encaixar no meio social que pagamos um alto preço, e este preço é quem somos, ou quem projetamos ser desde nossa adolescência.

Mas sabem que as vezes nestas mudanças, descobrimos que mesmo sendo tão planejados, as vezes a vida dá estas reviravoltas, e aprendemos tanto, crescemos tanto, e realmente, quando achamos que pensamos estar perdidos sem norte, encontramos nossa bússola.

Como disse uma vez Frank S. Land, as vezes temos que sacrificar quem somos, para sermos quem podemos ser. Esta mudança quando acontece nos muda de tal forma, com tanta intensidade que até nos assustamos com o que vemos, ou melhor, atingimos um ponto que jamais pensaríamos alcançar, e isso nos atinge por que nunca havíamos acreditado em nós mesmos.

Vendo o filme refleti muito sobre isso, a superficialidade realmente nos paralisa, nos limita, não nos deixa ver a nós mesmos, trava quem somos e quem podemos ser, mas enfrentar isso tem um custo, e este custo é nossa mudança, e esta mudança às vezes nos afasta daquilo que nos prendia à superficialidade, pois como disse Einstein, a mente que se expande nunca mais volta ao tamanho original, plagiando ele, a pessoa que se aceita e cresce, nunca mais será a mesma.

Se isso é bom, se isso é mau, não sei dizer, alias, ninguém saberá dizer, pois somente quem muda, vai poder pensar no que ganhou e no que perdeu, e ao final entenderá que o que perdeu na verdade jamais esteve com ele realmente, e sim estava com alguém as vezes incompleto.
Recomendo o filme, não recomendo a trilha sonora, nossa o filme poderia ter sido milhares de vezes melhor com uma musica que nos lembrasse sempre dele, mas conseguiram num filme aparentemente “meia boca” que se revela ser muito bom, estragar com uma trilha sonora ruimmmmm, de dar dó, mas entre mortos e feridos fica a bela mensagem contemporânea realista do que vivemos hoje em dia, vai que levando um bom mp3 e colocando uma musica baixinho para ouvir as falas ficaria melhor ver Roberto e Paula falando de sentimentos e sinceridade ao som da trilha de 9 e ½ semanas de amor.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Liberdade, a verdadeira Liberdade

Escutava o barulho que vinha das senzalas, eram brados de festa, de alegria, os sons eram indescritíveis, mais um daqueles trabalhadores era libertado, sua alforria havia sido adquirida por um grupo de pessoas de bom coração.

Como entender este sentimento? Como minimamente podemos pensar em descrever como se sente alguém ao ser libertado. Como podemos imaginar alguém aprisionado assim nos dias de hoje? Mas infelizmente nos dias de hoje ainda temos as escravidões, elas não vem de mercados, ela não vem de navios.

Nos dias de hoje ainda assim nos a podemos vezes ver e até mesmo sentir estas correntes, são simbólicas, às vezes grossas, às vezes intransponíveis, mas ainda assim pode estar nos prendendo, mas pode estar em nós mesmos buscar as chaves que abrem estes cadeados, e muitas vezes não apenas em nós, mas com a essencial ajuda de boas pessoas é que conseguiremos.

O sentimento de ser libertado, de receber esta dádiva é imensurável, é um misto de sensações, mas creio que o sentimento de gratidão, de alivio, de felicidade norteiam, o que se sente. Ter estas amarras desfeitas, e o que mais emociona é ver tantas pessoas queridas, empenhadas em libertar o outro.
Olhem, nem imaginam como demorei em terminar este simples texto, mas às vezes é assim, nem sempre o escritor conseguirá colocar no papel os fatos que marcam, mas citando, ou mesmo plagiando um pouco de H. Thoreau, a grandiosidade as vezes esta nas coisas mais simples.