A Verdadeira Historia
No século 17, havia uma corporação militar, considerada a elite do exército francês, que servia como escolta pessoal do rei. Essa tropa surgiu por volta de 1600, quando o soberano Henrique IV formou um grupo de guardas, cuidadosamente selecionados, que passou a ser responsável por sua segurança. Além de exímios espadachins, esses soldados também usavam carabinas e eram chamados de "carabineiros". O desenvolvimento do mosquete, uma arma mais avançada, mudou o nome do grupo. "Quando Luís XIII subiu ao trono da França (em 1610), ordenou que os carabineiros fossem armados com mosquetes. Então, esses soldados se tornaram conhecidos como mosqueteiros.
Foi durante o reinado de Filipe II que nasceu, em 1611, na antiga província francesa da Gasconha (que se situava na fronteira com a Espanha, ao longo dos Pirinéus e que tinha capital na cidade de Auch), um menino a quem foi dado o nome de Charles de Batz-Castelmore. Em 1611, era rei de França Luís XIII, o Justo, e a França encontrava-se dividida em 39 províncias (as províncias foram depois, na sequência da Revolução francesa, abolidas e reorganizadas em 100 departamentos em 1790.
O pai de Charles morreu a proteger o rei, enquanto chefiava a Guarda Real de Henrique IV, o anterior monarca e pai do actual Luís XIII e avô de Luís XIV. O rei Henrique IV foi alvo de várias tentativas de assassinato durante a sua vida (numa das quais morreu o pai de Charles) até que, em 1610, sucumbiu às facadas de um assassino.
Vários membros da família Batz-Castelmore fizeram parte da Guarda Real e Charles, quando atingiu a maioridade, deslocou-se a Paris no sentido de também dela fazer parte, como o pai e os irmãos. Como não tinha qualquer experiência no campo militar, a sua candidatura foi rejeitada. No entanto, Monsieur de Treville, um grande amigo da família, usou a sua influência política e o jovem ingressou no corpo militar de protecção do Rei.
Em 1644 ingressa nos Mosqueteiros que viria, muitos anos depois, a chefiar. Quando tinha já 40 anos, e o Cardeal Mazarin era o Ministro-Chefe do Rei, Charles de Batz-Castelmore conduziu várias missões de espionagem ao serviço do Cardeal. Devido aos seus valiosos serviços, foi nomeado Governador da recentemente conquistada cidade de Lille, conquistada pelo Rei-Sol Luís XIV aos holandeses. Mas, se devido à sua incompetência ou ao facto de ser um governador de um país ocupante, os habitantes não apreciaram o seu governador e Charles também não era feliz, sonhando voltar à vida militar. Com o continuar da guerra entre a França e a Holanda, Charles conseguiu voltar ao combate. A 24 de Junho de 1673, Luís XIV ordenou o Cerco a Maastricht e o Tenente-Capitão Charles de Batz-Castelmore liderou as tropas francesas. A 25 de Junho de 1673 morreu com um tiro de canhão.
Mas, na altura em que Charles nasceu, o Ministro-Chefe do Rei era Armand Jean du Plessis. Armand teve uma carreira política meteórica: estudou Filosofia e, mais tarde, planeou entrar na vida militar. Devido a problemas financeiros (a família Plessis tinha-se apropriado de dinheiro enquanto geriam o Bispado de Luçon), teve de se tornar um clérigo para apaziguar a indignação religiosa. Mais tarde, em 1607, foi ordenado bispo e, em 1616, tornou-se Secretário-de-Estado do Rei. Em 1622 tornou-se cardeal e, em 1624, tonou-se Ministro-Chefe do Rei. Armand tinha dois irmãos mais velhos e os três nasceram em Paris. Entretanto a sua família mudou-se para a antiga província de Tourrine (já então rebaptizada como Richelieu), onde o pai exerceu um importante cargo político.
Richelieu é uma cidade situada a 50 quilómetros de Tours e a 30 quilómetros de Descartes, cidade natal do filósofo René Descartes.
Assim, enquanto Charles de Batz-Castelmore se encaminhava para Paris para servir na Guarda Real do Rei, Armand Jean du Plessis era Cardeal de Richelieu e Ministro-Chefe do Rei e Portugal vivia em plena Dinastia Filipina, aguardando a Restauração, que viria a acontecer alguns anos depois, em 1640.
A história factual de Charles de Batz-Castelmore e de Armand Jean du Plessis parecerá familiar, o que é bastante razoável, pois a história de Charles e de Armand inspirou uma das histórias literárias mais conhecidas do mundo: Os 3 Mosqueteiros. A obra de Alexandre Dumas pai, foi integralmente inspirada no percurso de vida de Charles Batz-Caltelmore. Charles eventualmente tornou-se chefe d'A Guarda Real (conhecidos como os Mosqueteiros do Rei) e também conde de Artagnan.
O Corpo de Mosqueteiros da Casa Real do Rei da França (mais conhecidos como Mosqueteiros do Rei) foi fundado em 1622, quando o Rei Luís XIII forneceu mosquetes a uma companhia da Cavalaria Ligeira. Durante 7 anos os Mosqueteiros estiveram sobre o comando do Capitão-Tenente da Cavalaria Ligeira, até que, em 1634, nomeia, como Capitão dos Mosqueteiros, Jean-Armand du Peyrer, conde de Trèville.
Apenas os homens mais valorosos que pertenciam à Guarda Real podiam ser admitidos para o Corpo dos Mosqueteiros do Rei, como uma promoção, pois tratava-se de um Corpo Militar de Elite. Os Mosqueteiros combatiam a pé ou a cavalo e com mosquetes.
Em 1657, o sucessor dos Cardeal Richelieu, o Cardeal Mazarin, dissolveu os Mosqueteiros. Passados 4 anos o Cardeal morreu (1661) e o Rei Luís XIV ressuscitou a Companhia de Mosqueteiros em 1664, usando como modelo os Mosqueteiros iniciais.
Ao longo dos anos foram sucessivamente dissolvidos e recriados, até que foram definitivamente dissolvidos a 1 de Janeiro de 1816.
Muitos dos eventos relatados no livro de Alexandre Dumas pai são os acontecimentos romanceados da vida do conde D'Artagnan e da primeira Companhia de Mosqueteiros. Alexandre Dumas pai escreveu 3 livros sobre a vida do conde D'Artagnan: o primeiro, publicado em 1844, chamou «Os 3 Mosqueteiros», ao segundo chamou «Vinte anos depois» e, ao terceiro, chamou «O Visconde de Bragelonne».
Alexandre Dumas pai afirmou que tinha baseado as suas aventuras em manuscritos que encontrou na Bibloteca Nacional francesa, em Paris, que contavam a vida do conde D'Artagnan. Mais tarde foi provado que, na verdade, Dumas baseou-se no livro Mémoires de Monsieur D'Artagnan, capitaine lieutenant de la première compagnie des Mousquetaires du Roi («Memórias do Senhor D'Artagnan, Capitão-Tenente da Primeira Companhia de Mosqueteiros do Rei»), escrito em 1700 (apenas 27 anos após a morte de Charles de Batz-Caltelmore e 144 anos antes do livro de Dumas) por Gatien de Courtilz de Sandras (1644-1712). Gatien entrou para o Corpo de Mosqueteiros do Rei em 1670, mas deixou-os, após 18 anos, para se dedicar à escrita, e muda-se para a Holanda. Em 1702 regressa à França e é preso na Bastilha (a famosa antiga prisão de Paris) devido aos seus escritos escandalosos. Na Bastilha era guarda-prisional um antigo companheiro de armas do conde D'Artagnan de nome Besmaux. Terá sido através dele que Gatien soube da história do famoso mosqueteiro e a partir da qual escreveu o seu livro.
Das personagens mais conhecidas dos livros apenas algumas são personagens históricas, sendo as outras personagens ficcionais:
São personagens inspiradas em factos históricos D'Artagnan, o Cardeal Richelieu, o Rei Luís XIII, a sua esposa Ana de Áustria, o Duque de Edinburgo e o Cardeal Mazarin (que sucedeu a Richelieu em 1642 e que surge no segundo livro da saga).
Para além do Conde D'Artagnan (Charles de Batz-Castelmore) e do Conde de Trèville (Jean-Armand du Peyrer), alguns outros Mosqueteiros existiram realmente:
Armand de Sillègue d'Athos d'Autevielle (1615-1643): era conterrâneo do Conde de Trèville, que o levou, em 1640, para o Corpo de Mosqueteiros que liderava. Morreu jovem, com 28 anos, morto num duelo;
Isaac de Portau «Porthos» (1617-?): o seu pai era Secretário do Rei e entrou para a Guarda Real em 1640. Em 1643 entra para o Corpo de Mosqueteiros.
Henri d’Aramitz «Aramis» (?-?): cunhado do Conde de Trèville (uma das irmãs de Aramis casou com ele), pertencia a uma família nobre, com ascendência militar, filho de Charles d’Aramitz, Marechal dos Mosqueteiros. Entrou no Corpo de Mosqueteiros em 1640 e casou, em 1654, com Jeanne de Béarn-Bonasse, de quem teve 4 filhos.
Apesar de Athos e Aramis terem entrado juntos, em 1640, nos Mosqueteiros, Porthos, que entrou em 1643, não foi companheiro de Athos (que morreu em 1643) e só passado um ano foi companheiro de D'Artagnan (que entrou em 1644).
Não houve simultaneamente estes 3 Mosqueteiros juntos com D'Arttagnan. Só Aramis fez sempre parte da História dos Mosqueteiros juntamente com o Conde de Trèville.
A descrição do Cardeal Richelieu como um maníaco fanático de poder é completamente exagerada. Muitos historiadores consideram-no o primeiro Primeiro-Ministro da História. Em vez de uma figura interessada na sua própria glória, procurou, de diversas formas, engrandecer o seu país enquanto Ministro-Chefe do Rei: procurou consolidar o poder naval da França e, ao fazê-lo, impulsionou grandemente a colonização francesa no que é agora o Quebec canadiano e a Louisiana nos EUA, transformou uma França feudal com vários nobres poderosos num país moderno, com um governo centralizado e forte, que serviu depois de inspiração ao Rei-Sol Luís XIV. Para a consolidação do poder central francês, criou os primeiros Serviços Secretos do mundo. Além disso foi o fundador da Academia Francesa, a instituição que zela pela correcção e divulgação da língua francesa.
Não sendo de todo um anjinho (apesar de ser um padre católico, nunca se coibiu de se aliar a países de religião protestante no sentido de alcançar o que entendia como os interesses internacionais franceses), a imagem de pretendente-ao-trono-francês-sedento-de-sangue é imensamente exagerada e o Cardeal Richeliu serviu a coroa francesa durante 18 anos (de 1624 a 1642), não havendo qualquer evidência de tentativas de usurpar o trono. O seu pupilo, o Cardeal Jules Cardinal Mazarin, sucedeu-lhe como Ministro-Chefe de Luís XIV e também ele serviu a coroa até à sua morte, em 1661.
Paramento :
Manto : No início, os mosqueteiros usavam mantos azuis, com seu símbolo bordado na frente e atrás. Como o manto atrapalhava os movimentos em combate, ele foi posteriormente substituído por uma jaqueta justa de tecido grosso.
FAIXA Feita de couro ou de pano, atravessava o peito do espadachim e servia para pendurar pequenas bolsas com projéteis - balas redondas de ferro, pesando 60 gramas.
SÍMBOLO O emblema que passou a identificar os mosqueteiros era bordado com fios dourados e prateados. A cruz com flores-de-lis sobre um sol estilizado era uma alusão ao símbolo de Luís XIV, chamado de "Rei Sol".
MOSQUETE A arma que dava nome ao grupo militar era carregada pela boca e tinha que ser apoiada numa forquilha para disparar. O mosquete media quase 2 metros de comprimento, pesava 9 quilos e atirava projéteis a 160 metros de distância. Sua precisão, porém, era mínima
ACESSÓRIOS Entre os acessórios usados pelo mosqueteiro estava um chifre de boi, que servia como recipiente para pólvora. Ele costumava ser pendurado num cinto de couro, onde podiam ficar presas também as bainhas de um punhal e da espada

