Blog do Aramis

Um pequeno espaço de crônicas, sobre vida, amores, desamores, amizade, fraternidade, bom, tudo que é básico na vida de um mosqueteiro..rs

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Texto do Mosqueteiro Athos

Segue um texto em meu blog feito pelo meu irmao de armas Athos.

Espero que gostem da aventura.

abraços
Aramis

Meu irmão em Armas e Coração,

Há muito que nossas opções nos encaminharam a estradas e encruzilhadas que, quis o destino, enfrentássemos mais no espírito “um por todos”, que na felicidade do “todos por um”.

Nestas andanças, sofremos, recentemente, uma baixa de um jovem “lord”, cujo coração era tão bondosamente raro e cujo companheirismo era tão imaculadamente puro que creio, até, que o Eterno o chamou ao seu lado tão cedo por não permitir que tal beleza de espírito se contaminasse com o que eu vejo e vivo aqui na Terra. Um verdadeiro líder, um homem, um amigo, um irmão!

Bebo, do melhor uísque, a este homem e sua memória.

E, em sua homenagem, lembro-me de uma missão que tive com ele.

Era um “Bal Masqué”, no qual fomos dez no mesmo coche: Eu, Lord Jebediah (como o chamarei), sua namorada (Lady “C”), a amiga de sua namorada (Lady “B”), Lord Ed (que casou recentemente, por sinal), Rubid, o Bardo, Lord Cash, mais três companheiros que, posteriormente, virariam testemunhas, e, minha eterna amiga, Lady Jane!
Eu, de costume preto e camisa, simples, verde muito escura, opaca, de linho belga.

Uma máscara preta simples, como a de uma justiceiro mascarado dos quadrinhos, e um botão de rosa vermelho (quase negro) na lapela.

Jebediah de costume cinza escuro, com uma sobre-capa, e máscara clara que lhe cobria quase a totalidade do rosto, feita de papier maché, polida, com temas e curvas venezianas na face esquerda.

Chegamos pouco após o início da festa, todos em ambiente de muita proximidade entre os convidados, em um salão dividido em parte coberta e descoberta, bastante amplo e claro na recepção descoberta. O mais distante e desconhecido de todos era:
a) Bob Marley
b) Kunta Kinte
c) Eu

A resposta, por mais óbvia, não deixa transparecer que, entrementes, também tinha bons contatos e amigos perambulando por lá. Dentre estes, Lady Rose: uma morena, pouco mais alta que eu, de cabelos ondulados, um rosto bonito, um olhar castanho provocativo e um corpo de , provavelmente, tirar do sério um monge beneditino e, comprovada e consumadamente, Jebediah.

Nunca Jebediah havia superado Lady Rose. E a recíproca era verdadeira, pois ela havia visto nele a mesma beleza que eu vi: eu como amigo, ela... E não tardou a nosso cumprimento levar a conversa, e nossa levar a Jebediah.

Pedi, com gentileza que ela esperasse alguns minutos em um recinto que eu havia localizado no andar de cima. Apontei-lhe a escada, escondida atrás de uma cortina. Ela se foi.

Logo, Jebediah volta a falar-me: “Rose está linda de vermelho! Se eu não estivesse namorando...”
“Eu sei bem.” – Respondi. – “O namoro não te impediu antes.”
“Athos, não há o que fazer. Minha namorada está aqui, todos me conhecem...” -Jebediah chorou.
“Mas ela não está no segundo andar.” – apontei-lhe a escada e, em poucos minutos,
Jebediah tinha o butim da missão que Lady Rose havia me conferido. Bastou que prende-se Lord Ed em uma conversa muito animada com Lady B e C.

No decorrer “de la fête”, alguns, influenciados por Lord Cash, tentaram fazer da mistura “álcool+dança” algo mais complexo, tal como utilizar de “catalisadores químicos”. Situação na qual, discretamente intervi: “punguei” a substância (o que foi fácil) e a escondi.

A mistura era potente por si só ao ponto de Cash arrumar uma confusão. Retirando-o do ambiente, acendi um cigarro e perguntei , com uma garrafa encostada na parte de trás da coxa e bem segura na mão esquerda, se alguém mais queria brigar. Não obtive resposta, razão pela qual dei zero a D’Artagnan em prova análoga.

Após tanta bebida, as pessoas não conversavam ou se divertiam mais. O que me deixou
sem opções a não ser observar o ambiente: razão pela qual fiz amizades com os funcionários do lugar.

Neste aspecto, além de beber do melhor saquê, aprendi a fazer coquetéis com isso. O que me levou a servir duas conhecidas que lá se encontravam, em tom de cortesia e brincadeira.

O tom foi interpretado como galanteio: “- Se eu não estivesse com meu namorado ali, ‘te beijava’!” – replicou Baronesa M, uma loira de lindíssimos traços faciais e corporais escandinavos, baixa e de conduta delicada, vestida de cinza escuro e azul.
O calor da batalha me veio ao sangue. E numa reação quase reflexa, disse: “-Então me beija!”

E ela o fez.

Minha visão periférica percebeu que, a alguns metros (que não davam sete), o namorado, um nobre famoso no local, levantou-se. Descolei os lábios da Lady, postei-me em olhar fixo do que o barman posteriormente descreveu: “as costas arquearam, o cenho franziu e teu olhos olhavam de esgueio, por cimado ‘branco do olho’. O que é pior, você tinha um sorriso. Mas eu sabia que não estava rindo.”

Os espectadores prenderam a respiração e só a livraram quando, ao invés do nobre me dar um soco na cara, ele chamou a Baronesa - “posso conversar contigo?” – em voz baixa e chorosa.

Quando voltei de macaco para Athos, dei por mim que não precisava ter feito aquilo.
Hora de irmos para a casa. Em poucas horas, tinha que assumir a guarda. E fui chamar Jebediah.

Antes de mim, outra pessoa queria chamar “Jeb”: sua namorada, Lady C.
Em manobra pouco honrada, incitei a Lady ver se Jebediah estava no coche, o que funcionou. Desafortunamente, não contava com a bela Lady B, que me viu subir as escadas às pressas para chamar o amigo.

Em corrida nervosa, “B” chamou “C”, que, já em tempo de fúria, começaram a subir as escadas.

Quando cheguei no segundo andar, percebi que havia atrapalhado algo muito intenso.

Com energia, disse a Jebediah: “esconda-se e desça pelo outro lado.” – e à Rose: “você é minha parceira agora, entende? Abrace-me.”

Feito isso, as duas chegam ao segundo andar, ruidosamente. Com o barulho, outras pessoas, tais como Lord Ed e Rubid as seguem. E a cena está formada:
Jeb esgueira-se por entre cortinas até uma escada dos fundos, como um Fantasma na Ópera Garnier;
Rose e eu abraçados, como se fôssemos enamorados;
Quatro pessoas olhando e perguntando “o que acontece?”
Lady B perguntando a mim onde está Jeb.
Lady C gritando por Jeb.
Rose, sensatamente, e anos-luz a frente de meu pensamento, murmura em meu ouvido: “parece que não estão acreditando!”. – O que concordei com um denso “humhum!”.

Então, no meio daquela algazarra, Rose livra meu rosto da máscara e me beija... intensamente, molhadamente, o que, resfolegando, acompanhei com uma fúria alimentada pelo corpo olímpico e pelo perfume de Rose, que me drogava mais que qualquer coisa que Cash mencionasse.

Neste momento. Tudo silenciou. Jeb chamou por C. Entramos no coche.
Próximos ao nosso destino, já cortando a entrada do Mangue, Ed quebrou o silêncio da viagem:
“- Athos, você realizou o sonho de cada homem que havia naquela festa! Eu não entendi nada, mas você vai me dizer um dia o que aconteceu.”

E eu guardei este segredo de Jebediah. E hoje o transformo, com pouquíssimas adaptações, em um conto em sua homenagem.

Ao mesmo tempo, se Ed tiver ouvidos, que ouça o que ele me propôs no coche.

Um abraço,

Athos.

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